Eu queria botar ali do lado os links dos textos mais legais, mas simplesmente não sei quais colocar. Não que eu seja indeciso, é que simplesmente não sei julgar meu próprio trabalho. Parece tudo "ok".
Tem 3 que eu gostaria de colocar:
A Saga do Sábio Homem Sabiá;
L'Ultimo Bacio; e
Verônica.
Tem algum que você sugeriria?
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julho 13, 2007
junho 30, 2007
Sobre cidades
Cidades não são pessoas. Mas, assim como pessoas, as cidades têm suas próprias personalidades: em alguns casos, uma cidade possui muitas personalidades diferentes - há uma dezena de Londres, uma multidão de diferentes de Nova Iorques. Uma cidade é uma coleção de vidas e construções, e ela tem identidade e personalidade. Cidades existem em sua localização, e no tempo.
Existem as cidades boas - aquelas que lhe recepcionam, que parecem se importar com você, que parecem felizes de que você esteja nela. Existem as cidades indiferentes - aquelas que honestamente não se importam se você está nelas ou não; cidades com suas próprias agendas, aquelas que ignoram as pessoas. Existem as cidades que foram pelo caminho errado, e existem lugares em cidades sadias que estão tão podres e cheias de vermes quanto uma maçã caída da macieira. Existem até cidades que parecem estar perdidas - algumas, sem um eixo central, sentem-se como se pudessem ser mais felizes em outro lugar, algum lugar menor, algum lugar mais fácil de compreender.
Algumas cidades se alastram como um câncer ou um monstro de gosma de algum filme B, devorando tudo em seu caminho, absorvendo municípios e vilas, engolindo povoados e aldeias, transmutando-se em uma conturbação sem fronteiras.
Outras cidades encolhem - áreas uma vez prósperas esvaziam e entram em falência: prédios são abandonados, janelas são seladas, as pessoas se mudam e, algumas vezes, nem elas sabem dizer por quê.
Ocasionalmente paro e penso como as cidades pareceriam, caso fossem pessoas. Manhattam é, em minha cabeça, de fala rápida, nada confiável, bem-vestida, mas com barba mal-feita. Londres é grande e confusa. Paris é elegante e atraente, mais velha do que parece. São Francisco é maluca, mas inofensiva e muito amigável.
É um jogo ridículo: cidades não são pessoas.
As cidades existem em sua localização, e no tempo. As cidades acumulam suas personalidades enquanto o tempo passa. Manhattam se lembra quando era apenas um descampado brega. Atenas se lembra dos dias onde havia aqueles que se consideravam atenienses. Existem cidades que se lembram de quando eram vilarejos. Outras cidades - no momento insossas, desprovidas de personalidade - estão preparadas à esperar até que tenham história. Poucas cidades são orgulhosas: elas sabem que é normalmente um feliz acidente, uma simples coincidência geográfica que elas sequer existam - um grande porto, uma passagem pelas montanhas, a confluência de dois rios.
Neste momento, as cidades ficam onde estão.
Pois agora, as cidades dormem.
Mas há rumores. As coisas mudam. E se, amanhã, as cidades acordassem e começassem a andar? Se Tóquio engolisse sua cidade? Se Viena viesse subindo a colina atrás de você? Se a cidade que você habita hoje simplesmente se erguesse e fosse embora, e você acordasse amanhã enrolado em um fino cobertor em uma planície vazia onde uma vez esteve Detroit, ou Sidnei, ou Moscou?
Nunca subestime uma cidade.
Afinal de contas, ela é maior que você; ela é mais velha; e ela aprendeu a esperar.
- Neil Gaiman
Eu gostaria de escrever como Neil Gaiman, acredito que não possa, não é apenas questão de talento, eu não sou ele e ponto final, assim como São Paulo não pode ser Nova Iorque, eu não posso ser Neil Gaiman. Mas gostaria, assim como São Paulo, na minha cabeça, quer ser Nova Iorque. Ainda que não possa igualá-lo, sempre quis escrever sobre o tema, pois desde que li esse texto, passo um bom bocado de tempo imaginando como seriam as cidades que conheço. É de fato um jogo estúpido, mas extremamente divertido.
Canoas, para quem não sabe, fica bem do ladinho de Porto Alegre, e é a cidade onde moro desde que nasci (ainda que não tenha nascido nela). No início da minha vida, quando ainda freqüentava as primeiras séries e tudo era novidade, gostava muito de Canoas. Casas com pequenas cercas, alguns terrenos vazios, paralelepípedo nas ruas. Era tranqüila e pacífica, com aquele ar de vizinhança estadunidense de Hollywood anos 80.
Talvez por que estivéssemos nos anos 80.
O caso é que eu cresci e aos poucos Canoas foi mudando aos meus olhos. Eu passei a vê-la como um sujeito mediano, totalmente mediano. E eu não sou nem um pouco atraído pela média. Não se destacava em particularmente nada. Era mais velho que eu, mas não era, como Paris, um velhote interessante, sagaz e falastrão, mas era apenas um desses velhotes desinteressantes que trabalharam uma vida inteira em um pequeno escritório de contabilidade e quando se aposentam vão jogar dominó ou bocha. Sem história ou conteúdo algum. Assim a adolescência foi dando lugar a vida adulta e cada vez mais me distanciei, mesmo morando nela. Canoas era esse sujeito que é seu vizinho, você acorda todo dia por perto, mas simplesmente ignora por não ter nada em comum.
Esse desinteresse com certeza nasceu e foi crescendo quando passei a conhecer Porto Alegre, definitivamente uma jovenzinha mucho loca, cabelos que mudam de cor de acordo com o humor e apenas um pouco mais velha que eu, transitando entre o mainstream e o underground da boemia, tomando porres homéricos à noite e chimarrão no parque à tarde. Porto Alegre é o tipo de pessoa cheia de coisas novas e experiências interessantes que te faz pensar “puxa, onde eu estive esse tempo todo?”
Por algum motivo, este sábado estive um pouco nostálgico, então decidi que era uma boa idéia revisitar este velho amigo, Canoas. Obviamente saí a pé, porque não se conhece uma cidade andando de carro. Só se pode verdadeiramente conhecer uma cidade andando por ela, a pé. Conhecer uma cidade de carro é mais ou menos como conhecer alguém em um bar barulhento, você pode até tentar, mas não consegue conhecer tão bem assim uma pessoa desta forma.
Decidi ir até o parque que fica há 4 quadras da minha casa. Acredite ou não, fazia mais ou menos 10 anos que não ia até lá, mesmo ficando ridiculamente perto de casa. Isto se deve ao fato de eu realmente ter cortado relações com Canoas. Porém, agora que também estou trabalhando nesta cidade, diretamente da minha casa, não posso evitá-la mais. Fui. O caminho cortado pelo vento frio do inverno e o sol gostoso que se apresentava foi extremamente agradável. A cidade definitivamente não era mais a mesma. Ambos crescemos e mudamos. Havia mais prédios, a maioria bastante novos e bem conservados, as casas estavam ligeiramente maiores e pintadas com cores mais vivas. Este sujeito estava se vestindo muito melhor, é isso que posso dizer.
Por outro lado, as cercas também estavam maiores, muitas com eletricidade. Todo mundo tinha mudado, ficado mais fechado, mais violento, Canoas acompanhou a mudança.
Chegando no parque, não me lembrava que era tão grande, nem que era bastante bonito. Dei umas duas voltas pela grande pista principal que circunda um lago e tem a volta uma vegetação bastante agradável. O sol continuava me aquecendo e aquilo era ótimo. O parque era um lugar extremamente calmo, apesar de haver outras pessoas se exercitando como eu. Todos vestiam seus abrigos esportivos, eu era o único de calça jeans. Mas isso não me importava, eu me sentia a vontade. Canoas era um amigo de velha data, você não sente vergonha do que está vestindo em frente de um amigo verdadeiro, posso receber meus amigos na sala vestindo um pijama, quem se importa?
Esta reconciliação, que me fez pensar em uma série de coisas, pessoas, momentos e histórias de diversas fases da minha vida foi bastante importante. Acho que me reconciliei com a cidade. Talvez jamais seja meu melhor amigo, mas é definitivamente alguém que tenho algum apreço. Se não por ser louca e interessante como Porto Alegre, por ser acolhedora e saber ouvir. Canoas, para mim, continua usando óculos, é um pouco plano e simplório, mas definitivamente um bom amigo. Um amigo que cresci junto e que sei que em breve me separarei, mas sempre um amigo.
Cidades não são pessoas, mas bem que poderiam ser.
Existem as cidades boas - aquelas que lhe recepcionam, que parecem se importar com você, que parecem felizes de que você esteja nela. Existem as cidades indiferentes - aquelas que honestamente não se importam se você está nelas ou não; cidades com suas próprias agendas, aquelas que ignoram as pessoas. Existem as cidades que foram pelo caminho errado, e existem lugares em cidades sadias que estão tão podres e cheias de vermes quanto uma maçã caída da macieira. Existem até cidades que parecem estar perdidas - algumas, sem um eixo central, sentem-se como se pudessem ser mais felizes em outro lugar, algum lugar menor, algum lugar mais fácil de compreender.
Algumas cidades se alastram como um câncer ou um monstro de gosma de algum filme B, devorando tudo em seu caminho, absorvendo municípios e vilas, engolindo povoados e aldeias, transmutando-se em uma conturbação sem fronteiras.
Outras cidades encolhem - áreas uma vez prósperas esvaziam e entram em falência: prédios são abandonados, janelas são seladas, as pessoas se mudam e, algumas vezes, nem elas sabem dizer por quê.
Ocasionalmente paro e penso como as cidades pareceriam, caso fossem pessoas. Manhattam é, em minha cabeça, de fala rápida, nada confiável, bem-vestida, mas com barba mal-feita. Londres é grande e confusa. Paris é elegante e atraente, mais velha do que parece. São Francisco é maluca, mas inofensiva e muito amigável.
É um jogo ridículo: cidades não são pessoas.
As cidades existem em sua localização, e no tempo. As cidades acumulam suas personalidades enquanto o tempo passa. Manhattam se lembra quando era apenas um descampado brega. Atenas se lembra dos dias onde havia aqueles que se consideravam atenienses. Existem cidades que se lembram de quando eram vilarejos. Outras cidades - no momento insossas, desprovidas de personalidade - estão preparadas à esperar até que tenham história. Poucas cidades são orgulhosas: elas sabem que é normalmente um feliz acidente, uma simples coincidência geográfica que elas sequer existam - um grande porto, uma passagem pelas montanhas, a confluência de dois rios.
Neste momento, as cidades ficam onde estão.
Pois agora, as cidades dormem.
Mas há rumores. As coisas mudam. E se, amanhã, as cidades acordassem e começassem a andar? Se Tóquio engolisse sua cidade? Se Viena viesse subindo a colina atrás de você? Se a cidade que você habita hoje simplesmente se erguesse e fosse embora, e você acordasse amanhã enrolado em um fino cobertor em uma planície vazia onde uma vez esteve Detroit, ou Sidnei, ou Moscou?
Nunca subestime uma cidade.
Afinal de contas, ela é maior que você; ela é mais velha; e ela aprendeu a esperar.
- Neil Gaiman
Eu gostaria de escrever como Neil Gaiman, acredito que não possa, não é apenas questão de talento, eu não sou ele e ponto final, assim como São Paulo não pode ser Nova Iorque, eu não posso ser Neil Gaiman. Mas gostaria, assim como São Paulo, na minha cabeça, quer ser Nova Iorque. Ainda que não possa igualá-lo, sempre quis escrever sobre o tema, pois desde que li esse texto, passo um bom bocado de tempo imaginando como seriam as cidades que conheço. É de fato um jogo estúpido, mas extremamente divertido.
Canoas, para quem não sabe, fica bem do ladinho de Porto Alegre, e é a cidade onde moro desde que nasci (ainda que não tenha nascido nela). No início da minha vida, quando ainda freqüentava as primeiras séries e tudo era novidade, gostava muito de Canoas. Casas com pequenas cercas, alguns terrenos vazios, paralelepípedo nas ruas. Era tranqüila e pacífica, com aquele ar de vizinhança estadunidense de Hollywood anos 80.
Talvez por que estivéssemos nos anos 80.
O caso é que eu cresci e aos poucos Canoas foi mudando aos meus olhos. Eu passei a vê-la como um sujeito mediano, totalmente mediano. E eu não sou nem um pouco atraído pela média. Não se destacava em particularmente nada. Era mais velho que eu, mas não era, como Paris, um velhote interessante, sagaz e falastrão, mas era apenas um desses velhotes desinteressantes que trabalharam uma vida inteira em um pequeno escritório de contabilidade e quando se aposentam vão jogar dominó ou bocha. Sem história ou conteúdo algum. Assim a adolescência foi dando lugar a vida adulta e cada vez mais me distanciei, mesmo morando nela. Canoas era esse sujeito que é seu vizinho, você acorda todo dia por perto, mas simplesmente ignora por não ter nada em comum.
Esse desinteresse com certeza nasceu e foi crescendo quando passei a conhecer Porto Alegre, definitivamente uma jovenzinha mucho loca, cabelos que mudam de cor de acordo com o humor e apenas um pouco mais velha que eu, transitando entre o mainstream e o underground da boemia, tomando porres homéricos à noite e chimarrão no parque à tarde. Porto Alegre é o tipo de pessoa cheia de coisas novas e experiências interessantes que te faz pensar “puxa, onde eu estive esse tempo todo?”
Por algum motivo, este sábado estive um pouco nostálgico, então decidi que era uma boa idéia revisitar este velho amigo, Canoas. Obviamente saí a pé, porque não se conhece uma cidade andando de carro. Só se pode verdadeiramente conhecer uma cidade andando por ela, a pé. Conhecer uma cidade de carro é mais ou menos como conhecer alguém em um bar barulhento, você pode até tentar, mas não consegue conhecer tão bem assim uma pessoa desta forma.
Decidi ir até o parque que fica há 4 quadras da minha casa. Acredite ou não, fazia mais ou menos 10 anos que não ia até lá, mesmo ficando ridiculamente perto de casa. Isto se deve ao fato de eu realmente ter cortado relações com Canoas. Porém, agora que também estou trabalhando nesta cidade, diretamente da minha casa, não posso evitá-la mais. Fui. O caminho cortado pelo vento frio do inverno e o sol gostoso que se apresentava foi extremamente agradável. A cidade definitivamente não era mais a mesma. Ambos crescemos e mudamos. Havia mais prédios, a maioria bastante novos e bem conservados, as casas estavam ligeiramente maiores e pintadas com cores mais vivas. Este sujeito estava se vestindo muito melhor, é isso que posso dizer.
Por outro lado, as cercas também estavam maiores, muitas com eletricidade. Todo mundo tinha mudado, ficado mais fechado, mais violento, Canoas acompanhou a mudança.
Chegando no parque, não me lembrava que era tão grande, nem que era bastante bonito. Dei umas duas voltas pela grande pista principal que circunda um lago e tem a volta uma vegetação bastante agradável. O sol continuava me aquecendo e aquilo era ótimo. O parque era um lugar extremamente calmo, apesar de haver outras pessoas se exercitando como eu. Todos vestiam seus abrigos esportivos, eu era o único de calça jeans. Mas isso não me importava, eu me sentia a vontade. Canoas era um amigo de velha data, você não sente vergonha do que está vestindo em frente de um amigo verdadeiro, posso receber meus amigos na sala vestindo um pijama, quem se importa?
Esta reconciliação, que me fez pensar em uma série de coisas, pessoas, momentos e histórias de diversas fases da minha vida foi bastante importante. Acho que me reconciliei com a cidade. Talvez jamais seja meu melhor amigo, mas é definitivamente alguém que tenho algum apreço. Se não por ser louca e interessante como Porto Alegre, por ser acolhedora e saber ouvir. Canoas, para mim, continua usando óculos, é um pouco plano e simplório, mas definitivamente um bom amigo. Um amigo que cresci junto e que sei que em breve me separarei, mas sempre um amigo.
Cidades não são pessoas, mas bem que poderiam ser.
abril 29, 2007
Desafio Happy Feliz Challenge - Dia 40/40
O último dia do desafio dos desafios chegou. Basicamente poderia voltar a ficar mal humorado depois deste domingo, mas é bem provável que isso não aconteça. E isto prova a experiência de que bom ou mau humor é apenas questão de costume. Claro que temos variações de acordo com uma série de fatores, mas a idéia é que geralmente pessoas de bom humor são assim porque estão acostumadas a ver a vida com olhos alegres, enquanto a galera da carranca acostumou-se a ver tudo como ruim e sem graça.Claro que não sou a pessoa mais radiante do mundo (como no início do desafio), mas a idéia era justamente essa. Se a balança estava desequilibrada para um lado, tu deve meter mais peso no lado faltante para equilibrá-la. Sempre fui assim, faço coisas extremas para conseguir resultados normais. Nivelando por cima eu sempre entendo "ok, se eu conseguir chegar nesse ritmo, posso tranqüilamente viver um pouco mais abaixo dele sem esforço".
Coisas que eu aprendi com o desafio:
- É muito mais fácil viver a vida alegre - as coisas acontecem sozinhas (ou simplesmente tu começa a dar valor para as coisas boas que acontecem, por menores que sejam). Nessa mudança de atitude muita coisa melhorou, praticamente sozinha. O mundo conspira a favor das pessoas alegres? Não sei, talvez simplesmente as pessoas alegres conspirem a favor delas próprias.
- Não se leve tão a sério - Se você tropeça sozinho numa pedra ou até no clássico estilo "auto-rasteira", tu fica envergonhado se tem alguém olhando? Oras, por quê? Somos todos patéticos, tropeços acontecem. Não leve tão a sério o que faz ou diz, a pretensão estraga tudo. Seja despretensioso. Isso me dá a liberdade de começar uma história e jamais acabá-la. Quem liga? Quando você parar de se levar a sério, as coisas vão ficar muito mais fáceis para você. Tô falando sério.
- Não leve os outros tão a sério - o mesmo princípio acima se aplica aos outros. Se alguém não aparece no seu aniversário, isso não é sinal de nada, só de que alguma outra coisa aconteceu e não rolou. Não encare as coisas como se sempre alguém estivesse tramando causas e efeitos mirabolantes. As pessoas são toscas, assim como você.
- Reclamar e ficar bravo não resolve problema - a gente sempre fica puto com uma coisa ou outra, mas no fundo, isso não adianta nada. Esses dias eu esqueci meu pendrive e tive que voltar uns 15km pra pegá-lo. Ficar bravo não fez o pendrive magicamente aparecer no meu bolso, muito pelo contrário, parece que me deixava mais frustrado ainda. O que eu aprendi nessa história, e isso sim foi valioso, é que devo sempre checar o que eu preciso levar para aula antes de sair. Um amigo meu ainda me falou "tá, mas trancar a raiva é ruim, uma hora tu explode" e eu respondi pra ele "tu está certo, mas o desafio não é para trancar ou esconder o sentimento, a chave neste caso é NÃO SENTIR". Não sinto raiva pelas coisas que não fazem sentido sentir. Talvez numa briga a raiva te faça esmurrar alguém mais forte, mas em casos como o do pendrive, o máximo que tu pode conseguir é acabar batendo o carro. Então, relaxa, aumenta o som e resolve a parada.
- Pessoas de mau humor são engraçadas pra caralho - nunca ri tanto de alguns patetas que se estressam por tão pouca coisa. Eles não têm a menor idéia do quão patético soam, eu sei disso porque eu também não fazia idéia. A prova mais concreta tá em qualquer dupla de humoristas: tem sempre o bobo retardado e o mau humorado dos infernos. Prefiro ser o bobo.
- Mudanças sérias de comportamento funcionam na marretada - quando alguém pára de fumar, pára e pronto, não fica diminuindo. Mudar comportamento aos poucos é coisa de quem não DESEJA mudar. Se tu deseja, para de frescura e muda logo. Band-aid se tira de uma vez só. Isso nos leva a:
- A vontade é dona do mundo - se até um mau humorado convicto como eu pude mudar bastando ter uma vontade absurda disso, tudo pode acontecer se tu realmente desejar. Nada é impossível. "Impossible is nothing", como bem diria a Adidas. ISSO é mágica.
Para fechar com chave de ouro o desafio, vou dar uma volta na Redenção para refletir sobre a vida. Vou usar como ferramenta um livro de reflexão chamado "evaluate your life workbook", que ganhei de brinde nesse site depois de me inscrever nele (tive que pagar 1 dólar, mas acho que essa promoção acabou).
abril 18, 2007
Desafio Happy Feliz Challenge - Dia 29/40
Posso dizer que nos dias 27, 28 e 29 não tenho feito nada sobre o desafio dos desafios mais desafiantes de todos desafios. Em suma: QUE MAU HUMOR DO CÃO, EU ODEIO TODO MUNDO, TUDO DÁ ERRADO.
*dançando para espiar o pecado*
Esse troço é muito mais difícil do que eu pensava.
*dançando para espiar o pecado*
Esse troço é muito mais difícil do que eu pensava.
abril 16, 2007
Inferno
Droga, Genésio parou de falar, está tão quieto que parece que tirou férias num cemitério no Saara. Tenho que esperar, não consigo escrever nenhuma frase assim. Pra falar a verdade, fiquei meia hora na frente do word e saiu isso daqui:
- Ae, mermão.
- Ae, jotacê, qual é a boa?
E isso não me agrada, sobretudo porque "Genésio" se escreve com gê, não jota. Preciso rezar pras musas, só que não tenho o celular de nenhuma no momento.
- Ae, mermão.
- Ae, jotacê, qual é a boa?
E isso não me agrada, sobretudo porque "Genésio" se escreve com gê, não jota. Preciso rezar pras musas, só que não tenho o celular de nenhuma no momento.
abril 11, 2007
Bíblia anos 2000: A Saga de Genésio - introdução desnecessária
Bom, o lance é esse, nessa minha incrível fixação em transformar qualquer coisa da Bíblia em lixo da cultura pop, não por maldade, apenas por diversão, decidi que vou fazer a história do Jesus Cristo anos 2000. Bom, ele não se chamará Jesus exatamente, mas é algo assim. Também não seguirá os passos do próprio messias, afinal, eu não os conheço e tudo que eu sei sobre ele são das minhas aulas de religião no 1o grau, filmes malucos e o wikipedia (que invensão dos deuses!)
Isso de escrever uma grande saga para Jesus surgiu porque fazia quase uma semana que eu tentava escrever algum conto da Bíblia anos 2000 sobre ele, mas simplesmente não rolava. O caso é que Jesus foi um personagem tão rico, tão cheio da onda, com tanta história pra se contar que sempre ficava faltando uma referência aqui e outra ali de aventuras do passado dele, de modo que sempre parecia que eu tinha que escrever bem mais do que só um conto. Então que assim seja, amém.
Fora o risco de eu ser baleado por algum crente levar toda essa história mais a sério do que deveria, como vou postar ela em capítulos, há o perigo de que eu não a conclua. Ou sim. Pode ser que ela não faça sentido, seja incongruente e os fatos não fechem. Ou pode ser até um best seller - ainda que jamais será um prêmio pulitzer, estou certo.
O mais importante é: como tudo que eu faço, não leve a sério. Por favor, ninguém me venha dizer que "Noé não está no Novo Testamento" ou que "Lucas não é o cara que lavou os pés de Cristo" ou que "Barrabás não era um apicultor sarado", eu não quero saber dessas mesquinharias. Se eu fosse católico, saberia de tudo isso (pensando bem, a maioria dos católicos que eu conheço não sabe de nada disso, então tá limpo).
Deixo nas mãos de Deus, o que vier, é lucro. Issá, segura aí que lá vem JC!
Isso de escrever uma grande saga para Jesus surgiu porque fazia quase uma semana que eu tentava escrever algum conto da Bíblia anos 2000 sobre ele, mas simplesmente não rolava. O caso é que Jesus foi um personagem tão rico, tão cheio da onda, com tanta história pra se contar que sempre ficava faltando uma referência aqui e outra ali de aventuras do passado dele, de modo que sempre parecia que eu tinha que escrever bem mais do que só um conto. Então que assim seja, amém.
Fora o risco de eu ser baleado por algum crente levar toda essa história mais a sério do que deveria, como vou postar ela em capítulos, há o perigo de que eu não a conclua. Ou sim. Pode ser que ela não faça sentido, seja incongruente e os fatos não fechem. Ou pode ser até um best seller - ainda que jamais será um prêmio pulitzer, estou certo.
O mais importante é: como tudo que eu faço, não leve a sério. Por favor, ninguém me venha dizer que "Noé não está no Novo Testamento" ou que "Lucas não é o cara que lavou os pés de Cristo" ou que "Barrabás não era um apicultor sarado", eu não quero saber dessas mesquinharias. Se eu fosse católico, saberia de tudo isso (pensando bem, a maioria dos católicos que eu conheço não sabe de nada disso, então tá limpo).
Deixo nas mãos de Deus, o que vier, é lucro. Issá, segura aí que lá vem JC!
abril 04, 2007
Me ajude a escrever mais Bíblia Anos 2000
Eu não consigo dormir porque todas as idéias vêm quando eu estou na cama. São umas TARADAS essas idéias.
Há algum tempo ando com um caderno do lado da cama para anotá-las, mas às vezes eu não me seguro, elas são tesudas demais, e eu me levanto pra escrever no PC. Até porque escrever no escuro é uma naba.
Esses dias escrevi uma idéia meio dormindo. Quando acordei não consegui decifrar a letra, sei que tinha algo a ver com Moisés - que foi a única palavra que identifiquei. Porém, deve ser um sonho, porque eu nem sei desse tiozão bíblico aí.
Quem foi Moisés? O que ele fez?
Há algum tempo ando com um caderno do lado da cama para anotá-las, mas às vezes eu não me seguro, elas são tesudas demais, e eu me levanto pra escrever no PC. Até porque escrever no escuro é uma naba.
Esses dias escrevi uma idéia meio dormindo. Quando acordei não consegui decifrar a letra, sei que tinha algo a ver com Moisés - que foi a única palavra que identifiquei. Porém, deve ser um sonho, porque eu nem sei desse tiozão bíblico aí.
Quem foi Moisés? O que ele fez?
março 30, 2007
Desafio Happy Feliz Challenge - Dia 10/40
Trancorridos 1/4 de prova, continua o imenso desafio da diversão eterna. Na verdade agora estou numa fase mais balanceada, nem saltitante demais, nem pra baixo demais. Algumas coisas passam batidas, outras eu tenho que me concentrar pra não ficar estressado, mas em suma o troço vem funcionando. O clima melhorou muito nos meus dois trabalhos, as pessoas falam comigo espontaneamente e já não sentem tanto medo de mim.
Porém, lá pelo dia 7 ou 8 tive que dar uma dançadinha para expiar o pecado da falta de paciência.
O esgotamento físico do final do dia já não tenho mais e nos últimos 2 ou 3 dias o sono voltou ao normal, tenho conseguido dormir bem finalmente. Está bem mais fácil encarar as coisas pelo lado positivo e esquecer um pouco o lado negativo. Um bom exemplo disso foi ontem, quando uma das minhas lideradas simplesmente esqueceu a reunião. O velho eu a receberia com uma voadora nos peitos, o novo eu ligou pra ela, perguntou o que houve e sugeriu colocar na agenda desde já todas as reuniões que temos. Tudo fácil, tudo simples.
Tô precisando reencontrar alguns amigos, dançar ao som da tequila e mais um monte de outros troços.
Porém, lá pelo dia 7 ou 8 tive que dar uma dançadinha para expiar o pecado da falta de paciência.
O esgotamento físico do final do dia já não tenho mais e nos últimos 2 ou 3 dias o sono voltou ao normal, tenho conseguido dormir bem finalmente. Está bem mais fácil encarar as coisas pelo lado positivo e esquecer um pouco o lado negativo. Um bom exemplo disso foi ontem, quando uma das minhas lideradas simplesmente esqueceu a reunião. O velho eu a receberia com uma voadora nos peitos, o novo eu ligou pra ela, perguntou o que houve e sugeriu colocar na agenda desde já todas as reuniões que temos. Tudo fácil, tudo simples.
Tô precisando reencontrar alguns amigos, dançar ao som da tequila e mais um monte de outros troços.
março 23, 2007
Desafio Happy Feliz Challenge - Day 3/40
4 engarrafamentos na mesma manhã não me fizeram perder o bom humor. Como é bom ter som no carro, nossa.
Notei que no fim do dia eu fico meio esgotado, acho que tem a ver com o tipo de energia que se usa para ser extrovertido.Segundo uma teoria (não lembro o nome, mas procure por “MBTI” na internet), existem pessoas que sugam energia do mundo externo e outras que usam energia do mundo interno - se uma pessoa que pega a energia do mundo externo tenta usar o mundo interno ela fica cansada, a mesma coisa para aqueles que usam do mundo interno, ficam cansados quando usam a energia externa. Eu já sabia que eu tinha energia interna e que ficava esgotado com o mundo externo, mas não sabia que o cansaço seria físico, não apenas mental.
Mas de toda forma é muito bom, ando falando com todo mundo e continuo me correspondendo com a Laura todo dia, trocando quais foram nossos 3 melhores momentos do dia anterior.
Uma coisa que eu notei é que é bem mais fácil ser bem humorado, o mundo conspira a favor das pessoas com um sorriso no rosto. Parece bobagem, mas não é. As coisas dão certo antes mesmo da gente tentar alguma coisa.
Estou com dor de garganta, será que é por que estou falando demais? Nada que uma cervejinha não resolva.
O mais incrível é que uma série de pessoas vêm me ajudando com o desafio explicitamente. Até acho que tenho influenciado algumas a ter um bom dia também. Se eu consigo ficar de bom humor, qualquer um consegue.
Meio do 3o dia, segue o desafio.
Teoria 3 a 0. :D
Notei que no fim do dia eu fico meio esgotado, acho que tem a ver com o tipo de energia que se usa para ser extrovertido.Segundo uma teoria (não lembro o nome, mas procure por “MBTI” na internet), existem pessoas que sugam energia do mundo externo e outras que usam energia do mundo interno - se uma pessoa que pega a energia do mundo externo tenta usar o mundo interno ela fica cansada, a mesma coisa para aqueles que usam do mundo interno, ficam cansados quando usam a energia externa. Eu já sabia que eu tinha energia interna e que ficava esgotado com o mundo externo, mas não sabia que o cansaço seria físico, não apenas mental.
Mas de toda forma é muito bom, ando falando com todo mundo e continuo me correspondendo com a Laura todo dia, trocando quais foram nossos 3 melhores momentos do dia anterior.
Uma coisa que eu notei é que é bem mais fácil ser bem humorado, o mundo conspira a favor das pessoas com um sorriso no rosto. Parece bobagem, mas não é. As coisas dão certo antes mesmo da gente tentar alguma coisa.
Estou com dor de garganta, será que é por que estou falando demais? Nada que uma cervejinha não resolva.
O mais incrível é que uma série de pessoas vêm me ajudando com o desafio explicitamente. Até acho que tenho influenciado algumas a ter um bom dia também. Se eu consigo ficar de bom humor, qualquer um consegue.
Meio do 3o dia, segue o desafio.
Teoria 3 a 0. :D
março 21, 2007
Desafio Happy Feliz Challenge - DIA 1/40
Por enquanto, tudo maravilha. As pessoas têm vindo falar comigo quando eu quero falar com elas sobre algo, todo mundo ri das minhas piadas e eu não fiquei de mau humor no engarrafamento. Não me irritei com ninguém hoje, nem gritei, mas em compensação dei boas risadas.
Almocei em um lugar diferente, apareceram chocolates por aqui na agência e tive boas idéias pra diversas cousas.
Dica do dia: A Laura, minha inspiração maior quando se trata em felicidade (ela é Ministra da Felicidade da Lituânia, Brasil e Holanda), me deu uma boa dica na hora de acordar (momento crítico para todo mau humorado que se presa). Escreverei do jeito dela:
- Quando acodar, Sergíííniiiio, meu amor, pensa em 3 coisas felizes que tu fez ontem. Isso vaite ajudar a começar o dia alegre!
Dance!
Desafio de hoje será com certeza a aula. Que venha! :D
Almocei em um lugar diferente, apareceram chocolates por aqui na agência e tive boas idéias pra diversas cousas.
Dica do dia: A Laura, minha inspiração maior quando se trata em felicidade (ela é Ministra da Felicidade da Lituânia, Brasil e Holanda), me deu uma boa dica na hora de acordar (momento crítico para todo mau humorado que se presa). Escreverei do jeito dela:
- Quando acodar, Sergíííniiiio, meu amor, pensa em 3 coisas felizes que tu fez ontem. Isso vaite ajudar a começar o dia alegre!
Dance!
Desafio de hoje será com certeza a aula. Que venha! :D
março 20, 2007
Desafio Happy Feliz Challenge - DIA 0/40
Acontece o seguinte, meu amigo: minha vida anda uma droga. Verdade, mais pura verdade. Nada me satisfaz, até das pequenas eu ando sem correr atrás. Tô naquela fase em que se eu tropeçar num saco de dinheiro, reclamaria de ter tropeçado, em vez de ficar feliz por ter achado um saco de dinheiro.
Aí pesquisei em todas as bibliografias sobre o assunto, dispensando prontamente aquelas que dizem que estou louco de pedra ou que sou viadinho, e encontrei o esperado:
nada.
Mas não me dando por satisfeito (afinal, nada ultimamente me dá por satisfeito), pesquisei, pesquisei, pesquisei (aí dormi, porque ninguém é de ferro) em livros como "Os Filhos de Anansi", "O Evangelho Segundo Salsifufu", "Liber MMM" e "Laura, a Adomaityte", finalmente elaborei a Teoria Teórica da Prática da Felicidade Mágica ou Como Encontrei o Deus Escondido Atrás da Moita Rindo de Todo Mundo.
Na verdade é uma teoria muito complexa, mas que consiste resumidamente no seguinte:
- Sê feliz, mameluco do brejo, porque as rãs não piam sem cachaça.
Mas pra comprovar minha teoria, imbuído do mais puro espírito científico-chinelo, servirei eu mesmo como COBAIA para a pesquisa mais importante já apresentada ao vivo na TV Brasileira, Uruguaia e Panamenha, assim como em toda a Internerdosfera. A pesquisa durará exatamente 40 dias, talvez menos, quem sabe mais, e se chamará "Desafio Happy Feliz Challenge".
Serão 40 dias em que eu não posso me irritar com nada, terei de sorrir pra todo mundo, não farei julgamentos - em suma, serei um sujeito otimista, alegre e agradecido por tudo.
Se eu me irritar, você tem o direito de exigir que eu faça uma dancinha engraçada para expiar o pecado da raiva e mau-humor. Feito? Começa nessa quarta, 21 de março e vai até 29 de abril.
Não será fácil, mas tudo pela ciência.
Postarei updates com a constância que me sentir confortável, afinal, a regra é curtir a sensação, não se levar a sério e dar risada.
Só de começar o desafio minha vida já melhorou, a Pepsi normal voltou para a geladeira, issáááá! Teoria 1 a 0.
Aí pesquisei em todas as bibliografias sobre o assunto, dispensando prontamente aquelas que dizem que estou louco de pedra ou que sou viadinho, e encontrei o esperado:
nada.
Mas não me dando por satisfeito (afinal, nada ultimamente me dá por satisfeito), pesquisei, pesquisei, pesquisei (aí dormi, porque ninguém é de ferro) em livros como "Os Filhos de Anansi", "O Evangelho Segundo Salsifufu", "Liber MMM" e "Laura, a Adomaityte", finalmente elaborei a Teoria Teórica da Prática da Felicidade Mágica ou Como Encontrei o Deus Escondido Atrás da Moita Rindo de Todo Mundo.
Na verdade é uma teoria muito complexa, mas que consiste resumidamente no seguinte:
- Sê feliz, mameluco do brejo, porque as rãs não piam sem cachaça.
Mas pra comprovar minha teoria, imbuído do mais puro espírito científico-chinelo, servirei eu mesmo como COBAIA para a pesquisa mais importante já apresentada ao vivo na TV Brasileira, Uruguaia e Panamenha, assim como em toda a Internerdosfera. A pesquisa durará exatamente 40 dias, talvez menos, quem sabe mais, e se chamará "Desafio Happy Feliz Challenge".
Serão 40 dias em que eu não posso me irritar com nada, terei de sorrir pra todo mundo, não farei julgamentos - em suma, serei um sujeito otimista, alegre e agradecido por tudo.
Se eu me irritar, você tem o direito de exigir que eu faça uma dancinha engraçada para expiar o pecado da raiva e mau-humor. Feito? Começa nessa quarta, 21 de março e vai até 29 de abril.
Não será fácil, mas tudo pela ciência.
Postarei updates com a constância que me sentir confortável, afinal, a regra é curtir a sensação, não se levar a sério e dar risada.
Só de começar o desafio minha vida já melhorou, a Pepsi normal voltou para a geladeira, issáááá! Teoria 1 a 0.
fevereiro 07, 2007
Escrevendo sobre escrever 2
As pessoas que escrevem constantemente deixam transparecer que o mérito da coisa toda não é delas, mas sim dos personagens. Quando encontram um personagem que quer se abrir, escrevem. O chamado bloqueio de escritor seria apenas um triste acontecimento quando os personagens se calam e não se consegue tirar nada dele. Às vezes eu achava que isso era mito, às vezes que era frescura, às vezes que era divertido.
Mas, pô, que história é essa de "ouvir" o personagem?
Posso constatar hoje que isso faz muito sentido. Muitas vezes eles realmente são bastante falante e comportados, de modo que você sabe exatamente onde tudo vai dar. Alguns (a maioria pra mim) são até relativamente falantes, porém são muito mais caprichosos, não se deixam governar, vão pra onde querem e, se você for bonzinho com eles, talvez acabem perto de onde queria que acabasse. Por isso é relativamente mais fácil escrever uma história que se tenha o início ou o meio, do que o fim. Pelo menos pra mim.
Isso não é só achismo, acabo de fazer a prova. Enquanto escrevo a história dos mexicanos, posso ouvi-los perfeitamente se tiver escutando som ambiente. Porém não consigo escrever quando estou com fones de ouvido, como se não desse mais pra ouvir os desgraçados. Já quando estou escrevendo coisas não literárias, como esse post ou peças publicitárias, fones são muito bem vindos.
Estranho.
Mas, pô, que história é essa de "ouvir" o personagem?
Posso constatar hoje que isso faz muito sentido. Muitas vezes eles realmente são bastante falante e comportados, de modo que você sabe exatamente onde tudo vai dar. Alguns (a maioria pra mim) são até relativamente falantes, porém são muito mais caprichosos, não se deixam governar, vão pra onde querem e, se você for bonzinho com eles, talvez acabem perto de onde queria que acabasse. Por isso é relativamente mais fácil escrever uma história que se tenha o início ou o meio, do que o fim. Pelo menos pra mim.
Isso não é só achismo, acabo de fazer a prova. Enquanto escrevo a história dos mexicanos, posso ouvi-los perfeitamente se tiver escutando som ambiente. Porém não consigo escrever quando estou com fones de ouvido, como se não desse mais pra ouvir os desgraçados. Já quando estou escrevendo coisas não literárias, como esse post ou peças publicitárias, fones são muito bem vindos.
Estranho.
janeiro 28, 2007
Escrevendo sobre escrever
Não sei se isso acontece com todo mundo que escreve, ao menos com aqueles considerados bons é bem provável que não, mas eu sou extremamente influenciado por aquilo que eu leio. Quando leio thriller, quero escrever thriller. Quando leio fantasia, quero escrever fantasia. Quando leio bukowski demais, quero sair por aí bebendo com uma máquina de escrever debaixo do braço e socando pessoas. Quando leio...bem, you got the picture.
O caso é que eu geralmente leio bastante rápido, ou escrevo muito devagar, porque sempre que eu estou no meio de uma história sobre X (pois estava lendo sobre X), acabo desviando dela para Y (pois no meio da história comecei a ler sobre Y). E, sabe, talvez seja simplesmente falta de talento, mas é complicado pra caralho conciliar um par romântico que se transforma num beberrão inveterado e depois sai para caçar zumbis no inferno com seus recém adquiridos poderes mágicas herdados de índios astecas levados por óvnis até o Egito por uma conspiração americana.
Aliás, outros troços que andam me ferramento são nomes e ambientação. Acho que é porque eu praticamente nunca leio escritores nacionais (pode me crucificar), mas como eu poderia chamar meu personagem de "João", "Zé" ou "Almeida"? Mas, em compensação, que tipo de pessoa se chama "Jack" no Brasil? Ah, sim, eu poderia escrever em ambientações diversas onde esses nomes se encaixam, mas como eu poderia fazê-lo de forma decente se nunca fui até esses lugares? Sempre acabo em Nowhere Hill, o que deve ajudar bastante pras coisas serem mais "planas" e menos vivas no que eu escrevo. Quer dizer, Neil Gaiman pode escrever sobre um mago caótico chamado John Constantine e um sacerdote vudu de nome Papa Midnite que assombram a sombria Londres, enquanto eu tenho a minha disposição João da Silva, o capoeirista, e Zé Pilintra, o exu voador, que desviam de balas nos morros cariocas enquanto fazem aquele despacho amigo na encruzilhada à meia-noite.
Escrever sobre Porto Alegre? Não dá, meus personagens só encontram pela noite mods e emos que acham que são uma espécie de twisteds Bukowskis e Fantes.
O caso é que eu geralmente leio bastante rápido, ou escrevo muito devagar, porque sempre que eu estou no meio de uma história sobre X (pois estava lendo sobre X), acabo desviando dela para Y (pois no meio da história comecei a ler sobre Y). E, sabe, talvez seja simplesmente falta de talento, mas é complicado pra caralho conciliar um par romântico que se transforma num beberrão inveterado e depois sai para caçar zumbis no inferno com seus recém adquiridos poderes mágicas herdados de índios astecas levados por óvnis até o Egito por uma conspiração americana.
Aliás, outros troços que andam me ferramento são nomes e ambientação. Acho que é porque eu praticamente nunca leio escritores nacionais (pode me crucificar), mas como eu poderia chamar meu personagem de "João", "Zé" ou "Almeida"? Mas, em compensação, que tipo de pessoa se chama "Jack" no Brasil? Ah, sim, eu poderia escrever em ambientações diversas onde esses nomes se encaixam, mas como eu poderia fazê-lo de forma decente se nunca fui até esses lugares? Sempre acabo em Nowhere Hill, o que deve ajudar bastante pras coisas serem mais "planas" e menos vivas no que eu escrevo. Quer dizer, Neil Gaiman pode escrever sobre um mago caótico chamado John Constantine e um sacerdote vudu de nome Papa Midnite que assombram a sombria Londres, enquanto eu tenho a minha disposição João da Silva, o capoeirista, e Zé Pilintra, o exu voador, que desviam de balas nos morros cariocas enquanto fazem aquele despacho amigo na encruzilhada à meia-noite.
Escrever sobre Porto Alegre? Não dá, meus personagens só encontram pela noite mods e emos que acham que são uma espécie de twisteds Bukowskis e Fantes.
dezembro 19, 2006
Balanço social, Sérgio Ltda.
2006 foi sem sombra de dúvida o melhor ano da minha vida até agora, quase 25. Quantas estradas um homem precisa percorrer antes de ser chamado homem? Talvez eu ainda não saiba a resposta, mas com certeza a direção da estrada eu já conheço e a resposta o vento está soprando. Quando os ventos da mudança estão soprando, uns constroem abrigos, eu estou construindo meu moinho.Esse meu ano como diretor na AIESEC Porto Alegre me trouxe um aprendizado gigantesco, aprendi tanto sobre mim e sobre as pessoas em geral que sequer sabia que tinha essa capacidade. Entre 1o de janeiro e hoje trabalhei, me estressei, sorri, chorei, venci, perdi. Mas nada disso se compara com os amigos que fiz nesse ínterim. Pessoas maravilhosas que com certeza eu não teria conhecido, ou pelo menos não tão profundamente, e que me ajudaram de maneira que jamais poderei agradecer. Algumas dessas inclusive eu sei que ainda me ajudarão muito, pois nós não paramos jamais. We keep walking.
Meu time na diretoria da AIESEC, Conrado, Débora e Letícia, meus melhores amigos hoje e sempre. As pessoas mais incríveis. Nossos caminhos se distanciam um pouco agora, dois vão fazer intercâmbio, Letícia segue comigo no time nacional de suporte, mas nos reencontramos com certeza no mesmo caminho: 2011. O time de gestão de talentos que liderei durante todo esse ano, ao total 14 pessoas cuja vida eu procurei impactar de tal forma a ativar a liderança. Destes preciso citar especialmente alguns que foram especiais porque me fizeram aprender demais: Jalusa (minha mentorada e agora presidente da AIESEC Porto Alegre), Lubianca (minha sucessora, vai ter o melhor ano da vida dela também), Virgínia (uma máquina de talento, se tivesse entrado antes na AIESEC seria Presidente da AIESEC International), Mônica (nunca vi tamanha competência e seriedade), Marcos (meu afilhado, um talento nato) e Marcel (incrível como ele consegue fazer com que tudo dê certo rapidamente). Os outros com certeza foram muito importantes, mas estes se destacam na minha mente porque trabalhei mais de perto e pude ver o quão fantásticos são.
Marcelo Costa, o coach de Porto Alegre no 1o semestre. Mineiro mais gente boa de todos os tempos e fez com que desde o princípio nós encontrássemos nossa direção estratégica. Ali comecei a entender o papel (e poder) de uma visão. Com uma visão comum até um grupo de gente tosca consegue resultados incríveis. E impressionante o que a determinação de se chegar em algum lugar relevante faz com a gente.
Bárbara, minha mentora, uma pessoa radiante que em 2006 praticamente esteve longe de Porto Alegre, mas muito perto de mim. Posso dizer que sem ela eu não estaria onde estou, não apenas pelas conversas de mentorship, mas por coisas mais “bobas” e “inocentes”, como role modeling e aquela fatídica sessão de AIESEC XP que facilitei e que me fez enxergar o quão longe eu poderia/deveria ir.
Dean Johnstone - sem comentários, a pessoa mais inspiradora que já convivi e trabalhei. Minha meta é chegar ao nível dele. Nossas paixões são muito parecidas, nossos caminhos são parecidos, eu me espelho demais nele.
Minha família, nunca fui próximo, sempre fui considerado frio. Hoje estou muito mais próximo. Talvez seja o fim tardio da rebeldia hormonal da adolescência onde é preciso superar o velho, mas não creio que este seja o único motivo. Cresci também como indivíduo, não só profissionalmente. Amadureci.
Mas chega de citar pessoas importantes, agora me reservo ao silêncio de não dizer o nome, mas nesse final de ano até meu coração de pedra se amanteigou por uma pequena de cabelos escuros e olhos claros de forma que não acontecia sequer parecida há quase 2 anos, quando conheci uma certa sueca.
Esta nova menina nem é nova, pois já a conhecia, mas sempre evitei chegar perto porque, além de certos impedimentos éticos, ela parecia brava demais pra caralho mesmo. Mas, por Deus, ela é um sonho gostoso que eu gostaria de acordar do lado, descabelado, cansado e apaixonado.
Mas isso é outra história, ela nem sabe disso.
Quem sabe em 2007?
Se for assim, arrisco que 2006 vai passar de melhor ano da minha vida para segundo melhor. E assim, espero, sucessivamente.
Nunca me senti assim tão completo em tantos aspectos da minha vida. Obrigado 2006, tu foi do caralho.
--
the times they are a-changin' - Bob Dylan
Come gather 'round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You'll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin'
Then you better start swimmin'
Or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'.
Come writers and critics
Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide
The chance won't come again
And don't speak too soon
For the wheel's still in spin
And there's no tellin' who
That it's namin'.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'.
Come senators, congressmen
Please heed the call
Don't stand in the doorway
Don't block up the hall
For he that gets hurt
Will be he who has stalled
There's a battle outside
And it is ragin'.
It'll soon shake your windows
And rattle your walls
For the times they are a-changin'.
Come mothers and fathers
Throughout the land
And don't criticize
What you can't understand
Your sons and your daughters
Are beyond your command
Your old road is
Rapidly agin'.
Please get out of the new one
If you can't lend your hand
For the times they are a-changin'.
The line it is drawn
The curse it is cast
The slow one now
Will later be fast
As the present now
Will later be past
The order is
Rapidly fadin'.
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin'.
agosto 04, 2006
Papa Midnight
Prevejo uma longa noite gelada de dor nos dedos e milhares de teclas repetidamente marteladas. Manterei o MSN desligado para ajudar, eu acho. Meu olho direito treme sem motivo aparente há 3 dias, mas não é por isso que eu não vou escrever meu futuro.
O quão interessante eu posso achar minha própria vida? Haverá um limite? Acho que estou aprendendo a me auto-motivar - quando as coisas não vão MUITO mal.
Sórdido. Been there, done that.
O quão interessante eu posso achar minha própria vida? Haverá um limite? Acho que estou aprendendo a me auto-motivar - quando as coisas não vão MUITO mal.
Sórdido. Been there, done that.
Mapa do meu Slack
Sonolento, fim do dia, em casa. Nada o que esperar a não ser trocar o frio da noite por um banho quente e cobertor meio duro e felpudo, mas aconchegante depois que a temperatura se estabiliza debaixo das múltiplas camadas de tecido. Até que finalmente, depois de mais de um ano procurando, eu finalmente achei.
Achei é um modo bonito de dizer tropecei e acabei avistando o que estava debaixo do meu nariz, entre o coração e a cabeça. Estava lá, dando bobeira, eu só não tinha capacidade para encontrar. Agora eu entendo que quem diz que não tem, que não pode encontrar, simplesmente não quer, porque está tudo aqui. O tempo todo esteve aqui. Foi quase ao acaso, só não posso dizer que foi porque eu estava ativamente atrás da resposta para a vida, o universo e tudo mais.
Agora que terminei de buscar, minha busca apenas começou.
Talvez um pouco atrasada para alguns, muito adiantada considerando a maioria que jamais chega a sequer perceber deve procurar. Eu vou partir na busca mais sagrada, na missão mais suprema, na auto-realização definitiva. Vai ser a coisa mais difícil que eu já fiz, mas quem tem “por que” agüenta qualquer “como”.
Ninguém disse que seria fácil.
Ninguém disse que seria dado.
E eu sei plenamente disso.
Preparem os cachimbos, porque eu VEJO O FUTURO e é lá que eu encontrarei meu Slack.
Achei é um modo bonito de dizer tropecei e acabei avistando o que estava debaixo do meu nariz, entre o coração e a cabeça. Estava lá, dando bobeira, eu só não tinha capacidade para encontrar. Agora eu entendo que quem diz que não tem, que não pode encontrar, simplesmente não quer, porque está tudo aqui. O tempo todo esteve aqui. Foi quase ao acaso, só não posso dizer que foi porque eu estava ativamente atrás da resposta para a vida, o universo e tudo mais.
Agora que terminei de buscar, minha busca apenas começou.
Talvez um pouco atrasada para alguns, muito adiantada considerando a maioria que jamais chega a sequer perceber deve procurar. Eu vou partir na busca mais sagrada, na missão mais suprema, na auto-realização definitiva. Vai ser a coisa mais difícil que eu já fiz, mas quem tem “por que” agüenta qualquer “como”.
Ninguém disse que seria fácil.
Ninguém disse que seria dado.
E eu sei plenamente disso.
Preparem os cachimbos, porque eu VEJO O FUTURO e é lá que eu encontrarei meu Slack.
março 26, 2006
L´Ultimo bacio
Aviso de antemão que você não vai conseguir acabar de ler esse texto. Não perca seu tempo, amigo.-
E de repente você acorda ou, no meu caso, não consegue dormir tendo a estranha certeza de que você já tem 24 anos e que não só você, mas todas as pessoas a sua volta, estão completamente erradas e tudo que você fez foi de certa forma inócuo, sem sentido, desprovido de qualquer valor duradouro. O mundo é maluco, as pessoas correm pra lá e pra cá, trabalham feito loucas pra encher a carteira de dinheiro, o apartamento com uma mistura de móveis das Casas Bahia com Tok&Stok (ou Ikea, depende o quão publicitário você é) e quando olham pra cima às 7 da tarde de verão quase outono, no lugar de um céu pintado pelos deuses com uma gama imensa de cores e decorado com nuvens de algodão, vêem apenas azul, branco e algum laranja de uma imensa bola de fogo que passamos a eternidade girando à volta. Não há mais como sair de mão dada com alguém sem pensar no tempo que se está dispensado para aquela atividade, até porque a sua mão está perto do pulso dela e o pulso dela carrega um pequeno relógio digital ou analógico que mostra com uma precisão absurda que a sua vida está passando a cada segundo e se você não fizer alguma coisa você vai ter desperdiçado sei lá quantos zilhões de segundos andando em círculos em uma bola oval que gira em torno de si mesma e de um gigantesco fogaréu dos infernos, quando na verdade tudo que você tinha que fazer era viver um dia depois do outro, meio sem rumo. Rumo? Ninguém sabe realmente pra onde está indo, como eu posso saber agora? Estarei casado? Talvez me case amanhã, talvez continue agindo como um eterno adolescente e nunca ache alguém que me faça querer ficar junto pra sempre, porque sempre que eu acho eu dou um jeito de dar no pé, hit the road, jack, and don´t come back no more no more no more, ou até mesmo de estragar tudo. Porque por mais que a gente goste, sempre pinta um medo insano de estar preso e ligado a alguém e acabar num apartamento muquirana de subúrbio, vivendo com um filho e um gato pelo resto da vida até que a morte te enterre e tu não seja nada mais do que uma lembrança de alguém que logo logo morre e, puff, você desaparece para todo sempre e a sua vida foi um imenso nada, igual a das formigas. Eu queria mesmo largar tudo, pegar alguns amigos que eu gosto, vender tudo o que temos e comprar em sociedade um trailer em que viajaríamos pelo velho mundo, sendo expulsos de países, trabalhando apenas por comida e gasolina, sem nunca saber para onde a estrada em que estamos cruzando realmente leva, onde acaba, onde começa ou até mesmo pra onde é o norte e o sul. Não importa. Eu quero vento nas fuças, eu quero abraçar as pessoas que eu gosto porque eu sei que uma hora ou outra a gente vai se separar, porque a vida leva cada uma das pessoas por trilhas diferentes, porque estamos todos aqui, vivemos em uma espécie de sociedade (mucho loca, aliás), mas não somos de maneira nenhuma ligados para sempre, somos únicos e é esse conceito que nos leva até o divino - eu não sou um animal, eu sou alguém, algo me botou aqui, algo me fez aprender a escrever, ter angústias, sonhos, problemas, tudo isso não pode ser acaso, eu não posso ser mais uma formiga no formigueiro, não faz sentido. Então, quanto mais o tempo passa, mais você vai ter a possibilidade de olhar pra trás e ver quanta coisa já passou, quantas pessoas cruzaram teu caminho deixando uma marca grande ou pequena e de repente você nota que você não deu atenção nem as pessoas que deixaram as maiores impressões gravadas no fundo da sua alma pelo resto dos seus dias. Acaba sendo patético. E você se nota que tem uma vida rasa e inútil justamente neste dia, com 24 anos completos, percebe que há 24 anos você vive na mesma casa, com as mesmas pessoas e que na verdade não conquistou nada sozinho - e talvez nunca tenha conquistado absolutamente nada de importante, sozinho ou acompanhado. Aí você liga a tevê pra se distrair, porque não basta você jogar fora a sua vida, você ainda tem que desperdiçar preciosos momentos se distraindo para que o tempo simplesmente passe mais rápido, e o âncora do jornal, um sujeito visivelmente perturbado por anos de teleprompter (seja lá como se escreve essa josta) com notícias negativas, como políticos, com o mesmo sobrenome de outros políticos falecidos, fazendo de um país a sua empresa, tendo a vida pública como opção de vida e ganha pão. A maioria das pessoas que eu conheço já morreu. Sério. E a maioria vive como um eterno adolescente, mesmo tendo 24 ou 31 anos. Ou até mesmo 50. A gente não aprende nunca, estamos sempre fodendo por aí, feito bichos, fodendo, comendo e trabalhando (para comer e foder melhor) e não consegue abstrair que estamos construindo tijolo por tijolo um gigantesco monumento ao nada em que usamos bolor e porra pra cimentar e um imenso pântano de bosta como base. Não é difícil imaginar que uma hora ou outra tudo isso vá por água abaixo ou que você simplesmente desista e não continue mais. Não é difícil notar, mas é complicado e nada simples fazer algo sobre isso. Hoje eu deveria estar formado, não estou. Hoje eu deveria estar começando a botar os casacos mais pesados no armário pra sair de casa, mas não estou. Hoje eu teria conhecido parte do mundo que me faz falta, mas não conheço, e dói muito a saudade do que nunca tive, de uma maneira pitoresca e ridícula que só eu mesmo, que calço meus sapatos, sei como é. Talvez tenha sido melhor, mas eu nunca vou saber, porque sou um fraco e não arrisquei. Preferi o status quo, a vida cotidiana, continuar caminhando por aí na bola oval que gira em torno do monumento cósmico da piromania. Eu não tenho marco zero. A única coisa que eu tenho é uma faculdade de que não gosto, uma família que me mantém, saudável e confortável, uma barriga que começa a crescer preocupantemente e uma mulher diferente a cada dia na minha cama, sendo que nenhuma delas me dá o que eu realmente quero, que é sentir alguma coisa no meu coração que me faça acordar todo dia sabendo que existe algo por que lutar. Uma velha senhora alemã disse a um cara que eu admiro que ele viajava não “porque queria conhecer o mundo, mas porque PRECISAVA conhecer”, eu me sinto exatamente assim, não é desejo, eu preciso ver, eu preciso estar lá, eu preciso experimentar como é olhar para o céu em Uganda ou dar uma volta pelo Kremlin, porque eu sei que o meu lugar não é dentro do formigueiro, o mundo é o meu playground e eu estou no mesmo brinquedo a muito tempo - provavelmente 1/3 da minha vida, talvez 1/4 se eu começar a comer e me exercitar direito, mas pensando tecnicamente na parte realmente aproveitável desta estranha experiência nesse planeta, talvez me sobre só uns 20 anos para que eu faça o que devo fazer, só que o tempo vai passando e logo esses 20 anos se transformam em 15, os 15 em 12, os 12 em 5 e logo eu não tenho mais o que fazer a não ser ter uma casa no subúrbio, um cão chamado Gabriele, uma esposa que me acha um chato e um filho que acha um sujeito do big brother muito mais admirável que eu. Eu queria te mandar uma mensagem no celular, mas infelizmente eu odeio aquele maldito site www.vodafone.se porque ele está em uma língua em que todas as pessoas parecem bravas quando falam qualquer coisa por mais amistosa que seja, além disso mensagens de celular me fazem entender que eu estou muito mais longe de ti que eu gostaria e que o meu braço não te alcança e por mais que eu tente não vai haver gasolina suficiente para sair daqui a esta hora da madrugada, tocar sua campanha e, com o cabelo molhado pela chuva, perguntar se tem um espaço sobrando na tua cama embaixo das tuas cobertos e do teu quarto com calefação, mantendo os ambientes em torno de 20 graus. A vontade que eu tenho agora é apagar tudo isso, botar um all-star e me perder na noite, encontrar qualquer par de braços que me abrace e um par de pernas que se abra, tudo isso meio bêbado, pra acordar meio sem entender direito onde estou, olhar o relógio no celular e ver se ainda dá tempo de pegar o almoço em casa. Mas eu sei que nada disso vai adiantar, que por mais que eu esqueça uma noite de todas as inquietações no meu espírito, a minha memória é boa demais para esquecer, além disso, partir pra essa atitude seria apenas confessar, confirmar, de que realmente eu sou mais uma alma perdida dentre tantas outras que vagam noite após noite a procura de cevada, carne quente e frugalidades que se esvaem ao amanhecer, quando voltamos pras nossas tocas a planejar qual é o alvo da noite que logo virá. De que me adianta Bell´s, Beco e Cidade Baixa, se todas as pessoas que vão lá são iguais? Se todos trocaram a vida por um simulacro de “carpe diem anos 2000” sem qualquer propósito senão convencer a si mesmo e aos outros que tudo está maravilhoso, enquanto voltam pra casa e se frustram com a vidinha medíocre (quando tem algo na cabeça) ou quiçá nem isso, já que muita gente simplesmente age e pensa como gado. Aperto na alma, angústia, dor, eu não quero isso pra mim, eu sou diferente, eu não sou daqui, eu odeio todo esse esquema, eu não me encaixo nesse padrão, eu sou uma droga de exceção no meio de um mundo onde o bom é ser o estereotipo - estéril tipo, tipo estéril.
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