fevereiro 16, 2008

O mundo encantado de Jack Bauer

Os acontecimentos a seguir, acontecem das 6 às 7 da tarde.

Jack Bauer está andando pela Disneylândia quando de repente avista seu alvo, um homem alto, com feições russas, bigode grosso emendando com uma espécie de cavanhaque sem pêlos na ponta do queixo. O homem veste um jaleco branco. Bauer aproxima-se sorrateiramente por trás dele, chega a 15 centímetros do homem e saca sua arma, gritando:

- Parado, Jack Bauer, agente especial da UCT!

O homem toma um susto, vira-se pra Bauer e levanta as mãos em meio a confusão absurda de crianças vestindo bonés com orelhas de Mickey Mouse gritando e correndo pra lá e pra cá enquanto suas mães os protegem como podem. O homem parece apavorado, Bauer é o primeiro a falar:

- Ah, então é assim, seu maldito terrorista, você vai se ver comigo. - Bauer dá uma coronhada na orelha do homem com cara de russo, sua orelha espirra um pouco de sangue, manchando o jaleco branco onde se lê bordado “John Scully, sorveteiro encantado, em que posso ajudar?” O homem começa a choramingar “por favor, não me mate, eu não fiz nada”.

- Veremos. Isso é pra aprender a não mexer comigo.
- Eu sou apenas o sorveteiro encantado. Vendo sorvetes com o formato do Mickey e do Pato Donald, essas coisas.

Bauer guarda a arma e retira um par de algemas plásticas do bolso. - Por que será que eu não acredito em você? Qual o seu nome?
- John Edward Scul... - O homem não consegue terminar, pois Bauer coloca um saco plástico em volta da cabeça dele. John Scully se sacode e tenta gritar, sem sucesso.
- Qual o seu nome?
- John Scully!

Desta vez Bauer dá com a planta do seu pé nos peitos do homem, que cai no chão ao se desequilibrar.

- Por que não me fala a verdade, “John Scully” - Bauer diz o nome do homem com desdém - sabe, “John”, eu posso fazer isso um dia inteiro, 24 horas.
- Por Deus, esse é o meu nome! - diz o homem, desesperado - sou apenas um vendedor de picolés da Disneylândia.
- Veremos! Então o que o senhor tem a dizer sobre ISSO - enquanto começava a frase com esse “isso” tão apoteótico, Jack abria com uma mão, sem tirar os olhos do sorveteiro algemado caído no chão, o carrinho de picolés e tirava de lá o seu conteúdo no exato momento em que pronunciara a palavra “isso”.

- É um picolé, é o que eu vendo.

Jack desvia o olhar do homem e olha para o que estava na sua mão. Realmente parecia um picolé. Bauer estava convencido de que era um picolé, ao menos era bem gelado e tinha o formato de picolé. - Vamos ver, seu farçante! - Ele abre a embalagem do picolé e realmente, dentro da embalagem, há um picolé. Por azar, não estava recheado com um iPod, pois não havia promoção nenhuma da Kibon. Jack anda calmamente para perto do homem caído, que começa a se contorcer só de imaginar o que viria.

- Então, se isso é um picolé, tenho certeza que não terá nenhum problema em comê-lo! – Jack enfia o picolé na boca do homem, que meio sem entender, o come como pode, babando-se todo.

- Hm, então realmente é um picolé. Bem... hmmm... e o que você pode me dizer sobre sua conexão com os russos?
- Quê?

Jack chuta a boca do homem. - Escute, John, eu vou usar o soro da verdade em você. Não vai ser bonito, sabe? Ele é um soro feito pra doer. Imagine a pior dor que já teve, agora imagine isso 100 vezes pior e começando por dentro do seu corpo. É de enlouquecer. Você quer isso?

O homem balança a cabeça, negando com os olhos esbugalhados.

- ENTÃO ME DIGA A VERDADE! ONDE ESTÃO AS BOMBAS?
- Que bombas? Meu Deus, eu sou um pobre sorveteiro da Disney, nem sou russo, pelo amor de Deus! As únicas bombas que eu conheço são bombas de chocolate!
- ENTÃO ADMITE?
- O quê?
- Que tem bombas!
- Bombas de chocolate!
- Disse de novo! - Bauer chuta o homem, uma, duas, três vezes, com vontade, como quem chutaria um pitbull que estaria mordendo um ente querido. O homem dos picolés apenas chora, com o resto da sua consciência. Não dói mais tanto assim.

O celular de Bauer toca. Ele interrompe sua sinfonia feita com pontapés no estômago do sorveteiro.
- Sim?
- Jack, houve um engano. Os russos não estão envolvidos. Nossas fontes confirmaram que na verdade isso é coisa dos Paquistaneses.
- Certo, estou indo pra UCT para mais detalhes.

Jack liberta o homem de suas algemas, e diz: - Ande na linha ou eu voltarei, russo, nem pense em chamar seus amigos, porque estamos monitorando você. - O homem geme e levanta-se com dificuldade, algumas mães de família ajudam o sorveteiro a se recompor.

- Táxi! - Jack faz sinal e um táxi pára. Ele entra no carro.
- Para onde, amigo? - o sotaque do homem era carregado.
- Ei, você não é paquistanês?
- Sou. - Diz o motorista, sorrindo.

Jack sorri de volta, botando furtivamente a mão dentro do seu casaco.